Netflix é um SaaS?
Afinal, a Netflix é um SaaS?
Quando falamos sobre SaaS (Software as a Service), a imagem que vem à mente da maioria das pessoas é a de uma planilha complexa, um sistema de contabilidade chato ou um CRM cheio de gráficos que a equipe de vendas usa no escritório. Dificilmente alguém associa a sigla SaaS àquela maratona de séries no sofá de domingo.
Mas prepare-se para uma quebra de paradigma: Sim, a Netflix é um SaaS. E ela é, provavelmente, o exemplo de SaaS mais bem-sucedido e genial que você consome.
Pode parecer estranho colocar a gigante do entretenimento na mesma caixa que a Conta Azul, o Google Workspace ou o Slack. Afinal, uma serve para lazer e as outras para trabalho, certo? Sim. Mas o que define um modelo SaaS não é o conteúdo que ele entrega, e sim como ele entrega e cobra por isso.
Vamos dissecar o modelo de negócios da Netflix e provar, ponto a ponto, por que ela é o exemplo perfeito do que significa vender software como um serviço.
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Por que a Netflix gabarita o checklist do SaaS?
Para um produto ser considerado um Software as a Service (Software como Serviço), ele precisa abandonar o modelo antigo de venda (onde você comprava uma licença permanente e instalava no seu computador) e abraçar a nuvem e a assinatura. Veja como a Netflix faz isso com maestria:
| Regra do Modelo SaaS | Como a Netflix aplica isso |
|---|---|
| 1. Acesso via internet (sem instalações pesadas) | Você não precisa instalar um servidor de vídeos na sua casa. Basta abrir o navegador ou o app na Smart TV e a interface está lá, levinha, carregando direto da internet. |
| 2. O serviço está hospedado na Nuvem | Todos os petabytes de filmes e séries não estão no seu HD. Eles rodam nos servidores da Amazon Web Services (AWS), que é a infraestrutura de nuvem que a Netflix aluga para servir os vídeos para você. |
| 3. A cobrança é feita por assinatura recorrente | Você não compra o "filme do mês". Você paga uma mensalidade fixa que te dá o direito de acessar o catálogo completo enquanto for assinante. É o clássico modelo de recorrência que sustenta o mercado SaaS. |
| 4. Atualizações automáticas e silenciosas | Quando a Netflix muda o layout ou adiciona o recurso de pular a abertura, você não precisa baixar um "patch de atualização". Eles atualizam o software no servidor deles e a mágica acontece na sua tela. |
| 5. Cortou o pagamento, cortou o acesso | O teste de fogo do SaaS: cancelou a assinatura hoje? Seu acesso é imediatamente revogado no próximo ciclo. Você não leva nenhum filme "na bolsa" ao sair. Você só estava alugando o acesso ao software. |
A Netflix atende a absolutamente todos os critérios. Ela não vende mídia física (não mais, pelo menos, já que a empresa nasceu entregando DVDs pelo correio). Ela entrega o seu "software de exibição de vídeos" atrelado ao seu banco de dados de filmes, e cobra um aluguel mensal para você entrar lá.
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Mas entretenimento pode ser chamado de software?
Aqui é onde a maioria das pessoas se confunde. Existe um preconceito de que a palavra "Software" precisa ser algo voltado para produtividade ou gestão B2B (empresas vendendo para empresas).
Mas pense comigo: o aplicativo da Netflix que você abre na sua TV ou celular é feito de linhas de código, bancos de dados, algoritmos de recomendação (que são pura Inteligência Artificial e machine learning) e interfaces de usuário. Isso é software puro.
A categoria do conteúdo não muda o modelo de entrega. A Salesforce entrega relatórios de vendas. O Canvas entrega templates de design. A Netflix entrega filmes e séries. Todos usam exatamente a mesma tecnologia de nuvem e o mesmo modelo de cobrança para chegar até você. O que muda é apenas o mercado: a Netflix é um SaaS B2C (Business to Consumer, focado no consumidor final).
Outros serviços que surfam a mesma onda B2C:
- Disney+, Max e Prime Video: Todos SaaS de entretenimento visual.
- Spotify e Deezer: O mesmo modelo, mas focado no sentido da audição. SaaS de áudio.
- Xbox Cloud Gaming: O mercado de games percebeu a mina de ouro e hoje você assina para jogar games pesadíssimos que rodam em servidores na nuvem, sem precisar do console físico (SaaS focado em games).
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O que a Netflix e o seu sistema de vendas têm em comum?
Para deixar a comparação ainda mais clara, vamos colocar a Netflix lado a lado com um dos softwares corporativos mais famosos do mundo: o Salesforce (um gigante do CRM de vendas).
Na Netflix: Você faz login, o algoritmo cruza os dados do que você já assistiu, te recomenda uma nova série na página inicial e transmite o vídeo sem travamentos.
No Salesforce: O vendedor faz login, o algoritmo cruza o histórico do cliente, recomenda a melhor abordagem de vendas no dashboard e salva as anotações do vendedor na nuvem.
Em ambos os casos, você está apenas acessando um "terminal burro" (seu navegador ou celular) que se conecta a um "cérebro genial" (os servidores da Netflix ou da Salesforce). O modelo arquitetônico de ambos é idêntico.
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"Mas eu posso baixar o episódio no celular. Isso anula o SaaS?"
Essa é uma ótima objeção. Se o SaaS é sobre não ter o arquivo na sua máquina, o recurso da Netflix de "Baixar para assistir offline no avião" não destruiria essa tese?
Na verdade, não. E o motivo é simples: O download da Netflix é temporário, criptografado e refém da assinatura.
- Expiração programada: O episódio baixado tem prazo de validade. Se você não assistir, ele expira em poucos dias.
- Fronteiras fechadas: Você não pode pegar o arquivo do filme no seu celular e transferir por pen drive para o computador do seu amigo. O arquivo só roda dentro do app da Netflix.
- Checagem de licença: Se a sua assinatura mensal expirar ou for cancelada, o app da Netflix vai trancar todos os downloads no exato momento em que o celular conectar na internet e verificar que você não é mais assinante.
Ou seja, a funcionalidade de "Download Offline" é apenas uma feature (um recurso extra) do software para melhorar a experiência do usuário, não uma mudança no modelo de negócio. Você continua não sendo o dono do arquivo.
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Conclusão: Por que entender isso importa para o seu negócio?
Entender que a Netflix é um SaaS não é apenas uma curiosidade de bar. Isso é uma aula de modelo de negócios para qualquer empreendedor.
A Netflix provou que o modelo de receita recorrente — onde você foca em manter o cliente feliz pagando pouco todo mês, em vez de cobrar muito uma única vez — é poderoso o suficiente para derrubar indústrias tradicionais inteiras (como as locadoras de vídeo e a TV a cabo tradicional).
Se o entretenimento conseguiu se transformar em um "Software como Serviço", o que impede que o conhecimento, o atendimento ou o produto da sua empresa também seja "empacotado" como um serviço recorrente?
Perguntas rápidas para reforçar o conhecimento
Netflix é SaaS, PaaS ou IaaS?
Definitivamente SaaS. A Netflix entrega o produto pronto para você consumir. Para fins de curiosidade, a própria Netflix é cliente de um IaaS (eles alugam a infraestrutura bruta de servidores da Amazon AWS para guardar os filmes e rodar o seu SaaS). Se você tem dúvidas sobre essa sopa de letrinhas, leia nosso artigo focado em SaaS, PaaS e IaaS: Qual a Diferença? →.
O Spotify com plano gratuito ainda é SaaS?
Sim! O modelo de negócio do Spotify (conhecido como Freemium) é brilhante. O SaaS continua existindo, a diferença é a "moeda" de pagamento. No plano pago, você paga com dinheiro. No plano gratuito, você "paga" com a sua atenção ouvindo as propagandas inseridas pelo Spotify. O modelo de entrega do software continua sendo 100% nuvem.
Existe SaaS de hardware?
Estamos entrando na era do HaaS (Hardware as a Service). Empresas como a Apple já estão testando modelos onde você não compra mais o iPhone, mas paga uma mensalidade para ter sempre o iPhone do ano, atrelado aos serviços da nuvem (Apple Music, iCloud). A revolução do "Como Serviço" não tem limites.
Quer conhecer outros exemplos corporativos que seguem o modelo da Netflix? Confira nossa lista de Exemplos de SaaS: 15 Softwares Que Você Já Usa → e expanda seu repertório.